Sobriedade

Eu sei que você deixou bem claro desde o início que não queria nada sério. Eu também não queria, na verdade, ainda não quero.
Olha, está frio para caralho aqui fora, minhas mãos estão congelando e eu nem sei o que estou fazendo aqui.
Não quero te incomodar, só preciso te dizer umas coisas.
Você mexeu comigo muito mais do que eu queria. Você nunca prometeu voltar, mas mesmo assim eu te esperava.
Talvez eu esteja um pouco alcoolizada agora e me arrependa de tudo isso amanhã, mas eu só preciso te dizer que não sei mais o que fazer pela manhã quando acordo e parabéns a culpa é toda sua.
Ando pensando em trocar de cidade e talvez se eu fizer isso você pense que é drama da minha parte, mas está doendo para um caralho continuar aqui.
Não sou o tipo que gosta da pena dos outros, mas se você sentisse só um pouquinho de mim, confesso que adoraria.
Eu só queria entender como que diabos você dorme a noite, depois de receber o amor dos outros e não ser recíproco com ninguém? Como que você consegue ser tão sujo ao ponto de sorrir para os outros sem ter intenção nenhuma de ficar?
Sei que você não me deseja como eu te desejo, mas se você não se perdesse um pouquinho em cada alguém, talvez conseguisse ser inteiro.
Eu sei que você não sente o sabor doce do meu nome. Será que você já sentiu o sabor doce de alguém?
No fundo você é diferente de tudo o que já conheci. Você é bom, você é divertido e talvez até seja uma pessoa carinhosa. Mas se eu te disser tudo isso, sei que você vai rir da minha cara.
Como você consegue ser assim?
Como consegue olhar nos meus olhos e dizer que aquele amor que fizemos no sofá não significou nada? Como consegue tocar minha pele nua e depois ir embora sem ter pretensão nenhuma de voltar?

Está amanhecendo agora, fui covarde e não te disse nada do que pensei. A neve derrete lá fora e meus olhos buscam qualquer sinal sóbrio de você.

31-05-2012

Eu tenho medos
Medos que não se acabam
Medos que se julgam importantes
Medos que se tornam ideais

Eu tenho medos
Que não acabam

Que me transformam a cada dia
Que me tornam uma criatura
Que nem sei se quero ser

São medos que me dão força
São medos que me destroem

Eu tenho medo
Dos meus próprios medos.